segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
ENDA Encontro Nacional de Direitos Animais
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Marcus
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Entrevista : Bruno Müller

Raio X
Nome completo- Bruno Frederico Müller
Idade- 28 anos
Vegetariano ou vegano - Vegano
Cidade/estado- Rio de Janeiro/RJ
vegPiTa – Bruno, quando você se tornou vegetariano? E por quê?
Bruno – Foi ainda criança, há cerca de 20 anos, por influência da minha mãe, que se tornara vegetariana um pouco antes, pela idéia de que era errado matar animais. Eu não precisei ver filmes recheados de imagens chocantes, bastou refletir. Isso me alegra, pois o que me fez mudar não foi a visão de maus-tratos, mas uma consciência não-lapidada de que não existe um modo correto ou aceitável de explorar e matar animais. É simplesmente errado fazê-lo.
O veganismo veio bem depois, pois eu mal conhecia vegetarianos, me tornei vegetariano muito antes da Internet e não tinha consciência das atrocidades que envolviam um litro de leite ou uma dúzia de ovos. Eu já evitava couro e era contra a vivissecção, mas não boicotava produtos testados. Só no fim de 2006, quando conheci veganos pela Internet, eu tive a dimensão do problema. E conhecê-los me mostrou que era factível e viável ser vegano. Daí, em março de 2007, eu me tornei um deles.
vegPiTa– Pra você o veganismo seria a dieta ideal dos protetores dos animais?
Bruno – É a dieta coerente. Não faz sentido resgatar cães e gatos abandonados, pois estes são bonitos, pequenos e estão próximos de nós, e comer a carcaça de animais criados e abatidos longe dos nossos olhos. Estes animais sofrem e morrem desnecessariamente. Há muita profundidade por trás da frase: “se você ama uns, por que come outros?”. Realmente não há resposta lógica para a pergunta.
vegPiTa – O que você faz em prol dos animais alem da dieta vegetariana?
Bruno – Como historiador conheci diversas concepções filosóficas, políticas e religiosas, e nenhuma é tão coerente quanto a dos direitos animais e do veganismo. É algo que me encanta e me convence de que a libertação animal é justa, necessária, urgente.
Tal constatação me fez aderir à militância, desde fevereiro de 2007, na minha cidade. Eu quis ajudar com meu conhecimento e experiência como militante e estudioso de movimentos políticos tradicionais, com os quais já fui envolvido. Daí surgiram idéias, como a de termos um espaço permanente para divulgar o veganismo. Isso se efetivou em julho de 2007, quando começamos a panfletar semanalmente numa feira de alimentos orgânicos.
E desde novembro estou com um projeto de palestras que apresentam a filosofia vegana, sempre sob a ótica abolicionista de que os animais têm o direito à liberdade e que explorá-los é errado em qualquer circunstância. Com ele, quero levar o veganismo para toda a cidade e mesmo outras cidades e estados. E o próximo passo será levar nossa causa a dialogar com comunidades carentes.
vegPiTa – Como você define o veganismo na sua vida?
Bruno – Vejo o veganismo como uma filosofia libertária, e a liberdade é um princípio basilar na minha vida. Através do boicote vegano percebi que é muito cômodo se dizer contra algo sem agir para que de fato as coisas mudem. Não basta se revoltar, escrever, depositar um voto, nem sequer se filiar a um grupo ou partido. É preciso viver o que se acredita e boicotar o que se combate. Isso vale para qualquer movimento contestatório. Nós não devemos esperar um governo ou a revolução: se queremos mudar o mundo, temos que agir nós mesmos, mostrar que é viável, iniciar o processo de mudança o quanto antes.
vegPiTa – Como você vê as diferentes formas de ativismo? Você concorda com todas?
Bruno – Não podemos nos enganar: enquanto o vegetarianismo for uma idéia marginal e minoritária, sempre seremos mais rejeitados que aprovados. O fundamental é convencermos mais e mais pessoas, nos fazermos ouvir, mostrar que o vegetarianismo existe e que é uma postura ética, o que nem todos sabem. Para chegarmos lá, diferentes abordagens são necessárias. As pessoas são diferentes; logo, se sensibilizam de formas diferentes.
Antes de ser ativista sempre tentei ser “fofinho”, e as pessoas se sentiam à vontade para comer carne na minha frente, não questionavam suas atitudes. Quando eu dizia algo, me chamavam de sentimental. Então, conheço os dois lados da questão. Se uma abordagem agressiva pode causar repulsa, uma abordagem simpática pode causar acomodação ou ridicularização.
vegPiTa – É coerente a pessoa ser vegan, mas não lutar pela causa?
Bruno – Claro que os animais precisam de mais pessoas dispostas a lutar por eles. As vítimas humanas da opressão ainda podem, mesmo que a duras penas, lutar por sua liberdade. Para os animais isso é impossível. Então, vegetarianos e veganos têm uma obrigação moral de acordo com a consciência que têm e o problema que enfrentam.
O problema é que o ser humano também não é livre, nossa civilização e nossas relações muitas vezes nos aprisionam. Se não é viável para alguém ser ativista, que pelo menos seja vegano – isso está ao alcance de todos. Mas não existe passividade possível. O simples fato de saber os componentes de um alimento ou cosmético, não comprar de empresas que testam e não tomar uma aspirina quando tiver uma dor de cabeça já lhe faz, de certo modo, um ativista.
vegPiTa – O que você acha dos OLA [Ovo-Lacto-Acomodados]?
Bruno – Muitos OLAs se dizem vegetarianos pelos animais, mas não querem ou adiam indefinidamente a adoção do veganismo. Suas desculpas custam muitas vidas. Como já expliquei num texto que circulou na internet e que irei publicar no meu blog, matar é necessário à produção, mesmo se ninguém comesse carne; só se o consumo e os rebanhos caíssem drasticamente talvez fosse diferente. Mas aí entra a questão da libertação animal: é nosso direito explorá-los? Onde está o contrato assinado?
A ordem dominante promove uma dependência psicológica e um bloqueio ideológico – a suposta necessidade e o silêncio e mentiras sobre a realidade das fazendas e granjas. Os ativistas precisam entender que, para reverter isso, têm de defender o veganismo. Exemplo: veicular receitas com leite ou ovos deveria estar fora de cogitação; não se pode difundir uma dieta que impõe morte e sofrimento. Ser ovo-lacto só faz sentido por um breve período, pois o abandono de laticínios e ovos exige maior planejamento e adaptação. Isso é compreensível. Injustificável é se acomodar nessa posição. Se isso ocorre, é hora de lembrar à pessoa que sua dieta dá a licença para matar milhões de vacas, bezerros, galinhas, pintos.
vegPiTa – você acha que o vegetarianismo está na moda?
Bruno – Modismo é algo alienado, apenas para aderir a um grupo. Não creio nisso. Modismo foi o vegetarianismo da “geração saúde” dos anos 90, e esse já passou há muito tempo. Os vegetarianos pela saúde que conheci voltaram todos à carne, assim que passou a preocupação ou bateu a saudade. Vegetarianismo perseverante é movido pela ética, pois este é uma causa. E a causa dos animais está crescendo e ganhando visibilidade. É um crescimento consciente e será, portanto, duradouro.
vegPiTa – Quais são suas expectativas a respeito do futuro dos direitos dos animais no Brasil?
Bruno – Espero, primeiro, uma definição de objetivos: há veganos que aceitam testes em laboratório, vegetarianos que não querem ser veganos, “defensores” dos animais que pensam que comer carne é uma questão de opinião. São os que eu chamo de “relativistas”. Essas posições promovem a escravidão. Espero que cheguemos a um consenso de que o ponto de partida para uma relação de respeito com os animais é o veganismo, e sua meta é a abolição.
No mundo inteiro, espero que os direitos animais e o vegetarianismo deixem de ser uma questão pessoal. Que as pessoas se manifestem cada vez mais a respeito, mesmo que contra. Fazer desta uma questão central, sobre a qual toda a sociedade sinta a necessidade de refletir. Então, estaremos prontos para uma mudança de paradigmas.
vegPiTa – Para finalizar a entrevista ,você tem algum conselho pra quem está se tornando vegetariano?
Bruno – Os mesmos que digo a todas as pessoas com quem converso, pessoalmente e pela internet. O primeiro conselho é: informe-se, tome conhecimento da realidade da exploração animal e dos males generalizados que ela causa aos animais, às pessoas, à sociedade, ao meio ambiente.
O segundo conselho é: não pare no ovo-lacto-vegetarianismo, seja vegano. Ovos e leite também são exploração, e a forma como se obtém é cruel, dolorosa e assassina na quase totalidade dos casos. Nunca substitua a carne pelos laticínios e ovos. Uma vez que abandonou a carne, não compre mais queijo, ou ovo... tenha sempre em mente reduzir os produtos de origem animal, até cortar em definitivo. Não se deixe enganar pelo discurso das galinhas criadas soltas, da vaca ordenhada à mão. E não deixe de boicotar também os testes em animais.
O terceiro conselho é: pesquise substitutos. Aprenda a cozinhar, aprenda receitas veganas, pesquise os ingredientes dos supermercados e busque substitutos veganos para aquilo que você costuma comprar. Isso irá lhe dar segurança e autonomia para se manter vegano.
O quarto conselho é: administre seu tempo, mas sempre tendo o veganismo como meta, e o mais rápido que puder chegar lá. Corte primeiro tudo aquilo que for mais fácil, aquela comida que você não gosta, aquele cosmético ou produto de limpeza que você encontrar um similar vegano. Reduza aos poucos o consumo de produtos animais que você tem mais dificuldade de abrir mão. Planeje refeições veganas para o seu dia ou sua semana e vá aumentando-as progressivamente, por exemplo: um jantar vegano por semana para começar, comer mais frutas e pão integral no café-da-manhã, ir cortando o leite, o queijo, o presunto dessa refeição, e por aí vai.
Isso nos leva ao quinto conselho, que é igual ao primeiro: informe-se e tome conhecimento. Sempre que sua consciência arrefecer, que pensar que é difícil demais largar aquela comida que você gosta, que pode comer carne de vez em quando ou se manter como ovo-lacto-vegetariano, leia um texto, veja um vídeo, converse com um vegano. Esse conhecimento irá fortalecer a convicção de que se está no caminho certo, o caminho da não-violência, do respeito à vida e à liberdade. Comer carne não é simplesmente uma questão de gosto, de cultura, de hábito. São gostos, culturas e hábitos nocivos, danosos a todo o planeta e injustos com os animais. Coisas que são consideradas atrozes hoje já foram vistas como normais, isso não quer dizer que elas devam prosseguir existindo. O tempo da exploração animal já deveria ter acabado há muito.
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Blog
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Entrevista : Renata Octaviani

R A I O X
Nome - Renata Octaviani Martins
Idade- 29
Vegetariana ou vegan-Vegetariana, apesar de "estar vegana" há algum tempo.
Cidade/estado- Campinas -SP
vegPiTa - Renata quando você se tornou vegetariana? E por quê?
Renata – Eu me tornei vegetariana há quatro anos. Antes disso, eu fiz uma reeducação alimentar e fui obrigada a diminuir a quantidade de carne e comer mais vegetais, notei como isso me fez bem. Depois, comecei a almoçar em um restaurante macrobiótico.
Comentei sobre isso com uma amiga, vegetariana desde os sete anos de idade, que aproveitou a ocasião e me enviou um texto sobre abatedouros.
http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=372&Itemid=34
. A partir desse momento eu deixei a carne em definitivo.
Eu costumo dizer que o que me levou pro vegetarianismo foi a preocupação com a saúde, mas o que me tornou e me mantém como vegetariana é a preocupação com os animais.
vegPiTa – Você sente falta de algum alimento que tenha carne ,leite ou ovo?
Renata – Sinto bastante falta de doces portugueses (que, basicamente, são feitos de gema e açúcar) e pelos quais eu era vidrada. Mas aprendi tanta coisa nova nesses anos...
O queijo, doces com leite e preparações fora de casa feitas com margarina e manteiga têm sido meu maior desafio, sem dúvida (não só pelo sentir falta, mas por sempre estarem escondidos em algum lugar). Mas caminho cada vez mais pra largar de vez.
E acho que o que eu mais sinto falta, na verdade, era a maneira como eu encarava as refeições com a família. Hoje é impossível ser imparcial (família ou amigos). Mas não faço drama. Converso sobre o assunto com quem manifesta curiosidade, interesse e se dispõe a ouvir.
Não acho produtivo deixar as pessoas na defensiva, prefiro dar a elas algo sobre o que pensar.
vegPiTa – Você acha que o vegetarianismo está crescendo no Brasil?
Renata – Eu sinto que existe um maior interesse sobre o assunto, sem dúvida. E a comunicação entre vegetarianos melhorou bastante.
Mas sinto falta, às vezes, de uma pesquisa estatística sobre o tema. Especialmente fora do Estado de São Paulo e regiões metropolitanas.
vegPiTa – Como surgiu a idéia do seu site VegVida?
Renata – O VegVida surgiu como um blog no Multiply.Minha idéia era dividir as minhas experiências com meus amigos e também os novos vegetarianos que estivesse buscando o mesmo tipo de informação que eu pesquisava. Assim surgiram artigos sobre fundamentos de nutrição, pesquisas em SAC (origem do coalho do queijo, por exemplo).
Na seção de receitas, por exemplo, eu fazia questão de colocar as fotos pra aproximar mais as pessoas do conceito de comida vegetariana (e afastar alguns mitos como o que comemos só salada).
E também sempre coloquei links de páginas que eu achava interessantes. No final, a procura foi grande e adquiri um domínio (o site está em construção, deve ficar - finalmente - pronto nas próximas semanas)
vegPiTa – Como foi a sua participação no programa Mulher.com ?
Renata – Foi uma ótima oportunidade. Infelizmente, ainda é incomum a elaboração de receitas vegetarianas. Por uma vegetariana - sem cometer erros conceituais como colocar caldos, bacon, embutidos, gelatina, queijos com coalho e coisas do tipo - é uma raridade.
Eu só tenho um certo problema pra me expressar verbalmente (péssimo hábito pra uma ex-advogada), consigo ser mais sucinta e clara ao escrever; por isso, ao rever, sempre acho que faltou algumas coisas.
Consegui falar um pouco sobre vegetarianismo, recebi uma ligação de Santa Catarina e hoje vi uma pessoa na comunidade "Receitas Vegetarianas/Veganas" dizendo que o programa a fez decidir mudar a alimentação. Esse tipo de retorno já valeu a pena e superou qualquer falha que eu tenha detectado.
O interessante é, também, o público do programa: em geral donas de casa, que têm pouco acesso à informação (pouco hábito de acessar a internet, por exemplo). E essas donas de casa costumam ser multiplicadoras de notícias, atingindo um público a que o site praticamente não tinha acesso, por exemplo.
vegPiTa – Para finalizar a entrevista ,você tem algum conselho pra quem está se tornando vegetariano?
Renata – Informação é a base de qualquer transformação pessoal. Procure livros, textos, vídeos e reflita sobre eles. Se a sua motivação for ética, coloque-se sempre no lugar dos animais antes de voltar a comer um pedaço de carne. Se for por saúde, pesquise sobre refeições equilibradas.
(embora eu ache que todos os vegetarianos devessem ter alguma noção sobre nutrição. É questão de apresentação para o mundo dos efeitos da dieta vegetariana, na prática). Se for pelo meio ambiente, busque informações sobre uso e poluição de água e solo causados pela pecuária e monoculturas utilizadas para alimentação dos animais. E assim por diante.
O importante é levar a sério essa decisão.
Orkut
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=196714928815669512
Site
http://www.vegvida.com.br/
http://roctaviani.multiply.com/
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Entrevista : Rachel Siqueira

R A I O X
Nome completo- Rachel Siqueira (La Chica)
Idade- 28
Vegetariana ou vegan- Vegana
Cidade/estado- San Francisco, Califórnia - EUA
vegPiTa - Chel quando você se tornou vegetariana? E por quê?
Chel - Cresci vegetariana por influência de minha família. No início de minha adolescência, minha mãe decidiu adicionar carne à nossa dieta - risco esse (o des-veg), sempre presente aos que adotam o vegetarianismo por razões que não incluam a Ética.
Rejeitei por um bom tempo a estranha idéia de comer animais, mas acabei cedendo. Os comi esporadicamente, por alguns anos, e então num belo dia, descobri que eu era uma tremenda hipócrita - alegava amar os animas e os comia! Foi quando decidi voltar ao vegetarianismo, pela ética. Não me julgo no direito de explorar animais, sejam esses humanos ou não humanos.
vegPiTa – Você sente falta de algum alimento que tenha carne ,leite ou ovo?
Chel – Carne e ovos me enojam. Quanto a derivados do leite - apesar de nojentos, são tristemente deliciosos. Não diria que eu "sinta falta", pois não me vem à mente a opção de comê-los, no dia-a-dia. Já ao me deparar com a "tentação", a reação é uma: queijo me abre o apetite. Apesar da gula, a consciência e ética estão sempre em primeiro plano - me lembro da tristeza e injustiça por trás do queijinho e pronto - passou a vontade.
vegPiTa – Seus tópicos nas comunidades vegetarianas são os mais polêmicose muitos não concordam com a forma que você tenta levar as pessoas às causa vegetariana/vegana. Na sua opinião, por que eles geram tanta polêmica?
Chel – Porque dou nome aos bois. Me refiro a assassinos como ASSASSINOS. Me refiro a hipócritas como HIPÓCRITAS.
É interessante notar que tantas pessoas não consigam separar a razão da emoção. Muitos, emocionados alegam: "exploradores dos animais não são (eticamente) cretinos ! minha mamãe é onívora, ela explora... mas não é cretina, eu a amo tanto!"
Comentários que seriam dignos de boas risadas, não fosse a realidade dos animais tão triste. São pessoas "não cretinas" assim que passarão sua vida investindo na exploração animal, afinal, não são devidamente cobradas por mudança.
vegPiTa – Você acha que a sua abordagem funciona?
Chel – Sem dúvida! Abordagens diferentes são essenciais para atingirmos a "públicos" diferentes.
É essa a abordagem que escolhi adotar, é dessa que sinto falta no ativismo brasileiro e é essa que sei fazer bem feito.
vegPiTa – O que você acha dos OLA [ovo-lactos Acomodados]?
Chel – Um OLA é, por definição, acomodado. Não visa o veganismo, pretente continuar se "beneficiando" às custas da vida animal. "Os animais que se explodam" - é o pensamento por trás da dieta de um OLA.
. Ovo Lacto Acomodados = conscientemente optam por destruir a vida animal, exploram, matam
. Exploradores/Assassinos = indignos de qualquer respeito ou tolerância, desprezíveis e imorais
"do the math".
vegPiTa – O que você acha dos protetores dos animais que comem carne?
Chel – Gostaria que parassem de se entitular "protetores dos animais". Ninguém protege matando, para encher a pança.
Merecem crédito por seu trabalho, no entanto precisam entender que "proteção" vai muito além do resgastar animais abandonados, adotá-los. Animais não se resumem a cachorros, gatinhos e demais fofinhos-domesticados. Respeito não se resume a resgate - antes de tudo, deve-se respeitar os direitos animais, a começar pelo direito de (bem) viver.
vegPiTa – Ai nos Estados Unidos é mais fácil ser vegetariano?
Chel – É facílimo ser vegetariano no Brasil, mas se formos comparar a viabilidade do Veganismo nos EUA com o Brasil... sim - é mais fácil ser vegano nos EUA.
No que diz respeito à dieta vegana, especialmente para quem faz questão de se alimentar fora de casa, as opções são tantas e tão atraentes nos EUA, mas creio que o Brasil esteja melhorando nesse aspecto! É só folhear a Revista dos Vegetarianos que nos deparamos com dezenas de Restaurantes Veganos, Brasil afora... todos esbanjando muita ética e bom gosto! Deixando a dieta de lado e abordando a vida vegana, de uma forma geral... há muitas mais empresas norte-americanas oferecendo produtos éticos, que no Brasil. Nunca tive dificuldade alguma em adquirir produtos de higiene, cosméticos ou vestuário - 100% livres de crueldade.
vegPiTa – Para finalizar a entrevista ,você tem algum conselho pra quem está se tornando vegetariano?
Chel - Sim. Lembre-se sempre de que seu paladar ou comodidade nada significam, nada valem. Nenhum animal deve nascer, viver, servir, sofrer e morrer, para satisfazer sua gula. Não faça a ninguém o que não gostaria que a você fosse feito.
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Marcus
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